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O FOGO DA IRA

Rabino Leonardo Alanati

Moisés estava no alto do monte Sinai em contato profundo com Deus. Depois de 40 dias, o povo ficou ansioso e construiu um bezerro de ouro. Deus, então, se dirigiu a Moisés: “Desce rápido, pois o teu povo se perverteu…” (Ex. 32:7) O Midrash (S.R. 42:5) compara o verbo descer nesta passagem com o mesmo verbo usado quando Deus desceu para verificar o que acontecia em Sodoma. (Gen. 18:21) Em ambas as situações, Moisés e Deus deveriam ver de perto antes de condenar de longe. O Midrash continua perguntando por que Moisés não ficou com raiva dos israelitas logo quando Deus lhe contou o que eles faziam, mas esperou até ver com seus próprios olhos? Moisés duvidava da veracidade do relato divino? Claro que não! Moisés nos ensina, através de sua conduta, que não devemos condenar ninguém nem ficar nervosos com base apenas em boatos, independente de quão fidedigna seja a fonte.


Quantas vezes nos apressamos em julgar pessoas e situações sem termos todos os dados! Quantas vezes acreditamos, sem verificações, em notícias ruins que chegam até nós! Como avaliamos tão negativamente as pessoas que aceitamos, sem pensar duas vezes, os boatos negativos a respeito de seus atos!


A nossa primeira reação deve ser sempre verificar a veracidade dos boatos e das notícias que chegam até nós antes de qualquer outra ação. Devemos sempre duvidar de boatos negativos. Precisamos nos aproximar para verificar os fatos. Se possível, nos dirigir diretamente às pessoas envolvidas e lhes perguntar o que aconteceu.


Além disso, logo ficamos emocionalmente alterados: nervosos, com raiva, já preparando uma vingança. Antes de deixar-se levar por emoções negativas, devemos sugerir algumas possibilidades plausíveis e justas para um comportamento aparentemente recriminável.


Se isto sempre foi importante, hoje é fundamental na nossa era marcada por “Fake news”.