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A Torá e a destruição de árvores

Rabino Leonardo Alanati

A Bíblia Hebraica muitas vezes já foi criticada pela sua ênfase excessiva no ser humano, como o ápice da criação e criado à imagem de Deus, em detrimento de outras formas de vida na natureza. Este foco no humano, segundo seus críticos, levou a uma exploração insaciável e ilimitada dos recursos naturais e das vidas animal e vegetal.

O chamado bíblico para que o ser humano proteja o meio ambiente talvez seja tímido para os ecologistas atuais. Porém, não podemos deixar de contextualizar: os textos bíblicos se originaram em um período no qual o culto à natureza e a adoração de fenômenos naturais eram a norma. Os autores bíblicos lutaram contra este contexto religioso e cultural e tentaram ensinar o valor do ser humano, que não deveria ser submetido à tirania dos cultos à natureza.

Mas a preocupação, apesar de tímida, existe, como é possível perceber através da seguinte lei da Parashá: “Quando cercar uma cidade há muito tempo, combatendo-a para capturar, você não deve destruir suas árvores, manejando o machado contra elas. Você pode delas comer, mas não deve derrubá-las. São as árvores do campo humanas, para se retirar diante de vocês para a cidade cercada?” (Deut. 20:19-20) Os rabinos generalizaram esta lei para o conceito de Bal Tashchit: é proibido destruir qualquer coisa sem uma boa razão.

Vivemos em um contexto diferente daquele do período bíblico, no qual o poder humano e sua ganância não têm limites. A raça humana já destruiu e pode ainda destruir diversas espécies do planeta. Judeus religiosos do século 21 precisam se envolver mais do que este chamado tímido da Bíblia e da tradição judaica. As batalhas pela defesa do meio ambiente são também nossas batalhas. A bandeira da proteção do meio ambiente é também a nossa bandeira. Proteger os animais e as selvas é uma Mitsvá, um mandamento.