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Cuidado com a Matseiva

R. Leonardo Alanati

Uma das palavras do hebraico mais comum entre nós é Matseiva. Na sinagoga, por e-mail ou nos jornais anunciamos a famosa “Descoberta de Matseiva”, o ritual de inauguração da lápide que cobre o túmulo.

Na Parashá desta semana encontramos a maior incidência dessa palavra em toda Torá: por quatro vezes lemos sobre Matseivot. E nenhuma delas está ligada à lápide de um túmulo! Jacó é o maior instalador de Matseivot da Torá. Na Parashá dessa semana ele fincou duas: uma após seu encontro com Deus antes de sair da terra de Israel, em um local chamado Beit El. Esta Matseiva foi colocada como uma pedra de um altar, um local sagrado. A outra Matseiva foi instalada no retorno de Jacó. Este segundo pilar de pedras era um monumento ao pacto entre ele e Labão.

Apesar de todo esse esforço belo e digno, lemos no final da Torá o seguinte mandamento: “Não levantarás para ti uma Matseiva que o Eterno, teu Deus, detesta.” (Deut: 16:21). Lemos mais adiante no Tanach que certos reis de Israel, especialmente Ezequias, destruíram diversas Matseivot! (II Reis 18:4

)

Se alguém destruísse nossas Matseivot atualmente, logo pensaríamos que são antissemitas ou neonazistas!

O que aconteceu no desenvolvimento religioso do Povo de Israel na antiguidade para se chegar até este extremo?

Diversos tipos de Matseivot que foram construídas como altares e monumentos se transformaram em santuários idólatras. O povo confundiu um local e um objeto que deveriam conduzir o fiel para mais perto de Deus, como fonte de poderes sobrenaturais.

Às vezes, nós também caímos nesse erro e transformamos nossas Matseivot de cemitério em altares, em lugares de rituais religiosos. Os locais que nossos entes queridos jazem não podem se transformar em intermediários no contato com Deus. Nossas Matseivot são marcos para lembrar, se emocionar, extravasar emoções fortes de alegria ou tristeza ligadas a uma pessoa querida.

Matseivot suprem uma necessidade psicológica humana diante da perda e da ausência física. Nossos sábios ensinaram: “Não existe nenhum local no mundo destituído da Presença Divina.” (B. R. 12:4) Os portais para a santidade estão em todos os lugares. Basta treinar para conseguir a necessária concentração na reza e na meditação e, assim, atingir uma experiência religiosa intensa aonde quer que você se encontre.